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Cultivo do cogumelo shiitake em substratos


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Os substratos

O substrato é o maior responsável pela fonte de nutrientes e água para o posterior desenvolvimento do cogumelo e é também o que sustenta o cultivo. Devido ao seu alto grau de importância no processo, é preciso que se tenha cuidados especiais em sua formulação. A falta de cuidados com o substrato faz com que os microorganismos o colonizem muito antes dos cogumelos. Os substratos ricos são submetidos a compostagem, pasteurização e condicionamento – esse processo demora de 21 a 30 dias e, quando chega ao fim, ele está parcialmente estabilizado e condicionado. Existem alguns organismos termófilos, antagônicos ao shiitake, que apenas são mortos quando elevados a altíssimas temperaturas. Isso faz com que os cultivos axênicos e os pasteurizados sejam eficientes, pois as temperaturas a que elevam o cultivo conseguem exterminá-los. Porém, lembre-se, que existem microorganismos que são altamente resistentes e não serão eliminados e darão biostase em ambientes onde a assepsia não for tão rigorosa.

Os substratos para o cultivo axênico em blocos precisam ser em sacos resistentes a 125ºC, ou seja, o polipropileno ou o polietileno de alta densidade, serragem enriquecida de nutrientes e condições ambientais controladas ou semi-controladas. Acompanhe a formulação de um substrato para a produção axênica no quadro abaixo:

Código

Matéria úmida (kg)

Ingredientes

Matéria seca (kg)

Carbono (kg)

N (kg) mín.

N (kg) máx.

74

100,00

Serragem de eucalipto + casca

88,00

41,36

0,33

0,35

96

20,00

Farelo de soja

18,40

8,28

1,29

1,47

 

0,32

Cac. Calcítico

0,32

 

 

 

 

200,00

Água

1,00

 

 

 

 

320,32

 

 

 

 

 

Total

320,32

 

106,72

49,64

1,62

1,82

(%C)

(%N)

 

Total

Mín

Max

 

46,51

1,52

1,71

 

C/N

30,60

27,21

C/N Média

28,91

 

A formulação para os substratos de pasteurização severa é menos nutritiva para que os nutrientes usados não possibilitem a proliferação de microorganismos. Com C/N entre 50 e 65/1, o que pode envolver inúmeras combinações de matérias-primas.

Preparo do substrato

Como o substrato é um dos fatores de maior importância no cultivo dos cogumelos é preciso que seu preparo seja feito com o máximo de cuidados possíveis.

Primeiramente, se escolhe o material a ser usado. No caso da serragem (quem deve estar frescos e não conter mofo), o primeiro passo é o seu peneiramento. Isso acontece porque a serragem contém pedaços de madeiras ou outros materiais duros que precisam ser retirados, pois se ficam podem causar perfurações nos sacos – essas perfurações facilitam a entrada de microorganismos contaminantes.

A composição do material deve ser bastante estável não estando nem muito fina, pois dessa forma compacta demasiadamente o bloco, e nem muito grosso, pois, dessa maneira, forma bolsões de ar que diminuem a produção.

Depois de misturados os substratos devem ser colocados nos sacos apropriados e a quantidade a ser adicionada varia de acordo com o tamanho do saco – normalmente de um quilo e meio a quatro quilos.

Depois de prontos os substratos são levados para a autoclave, máquina que funciona como uma panela de pressão, e elevados a uma temperatura de 121ºC por duas horas ou mais.

Na pasteurização severa a temperatura é aumentada a partir da emissão de vapor, mas sob pressão ambiente. Os blocos devem permanecer nesse ambiente por um período de seis a 10 horas. Essa diferença de tempo existe devido ao fato de que na pasteurização severa a temperatura é mais baixa.

A autoclavagem, no processo axênico, é de alto custo de implantação, contudo é a única forma eficiente para esterilização do material. A pasteurização severa tem custo inferior e é indicada quando o cultivo do cogumelo acontece em galpões.

 


A serragem é componente mais comum nos substratos, pois são ricos em nitrogênio e em outros nutrientes. Palhas de capim e bagaço de cana-de-açúcar também são materiais utilizados – ricos em carbonos e pobres em nitrogênio e fósforo.

Como existe uma interação significativa entre linhagem e substrato é fundamental que um comerciante de semente as teste antes de colocá-la em comercialização. É preciso saber sua produtividade, qualidade e características dos basidiocarpos. Saber em que tipo de substrato e qual método de cultivo elas se desenvolvem melhor também é importante.

Após o resfriamento do substrato, deve ser inoculado o micélio do fungo. As sementes devem ser de linhagem selecionadas para as condições de cultivo. Depois de selecionada as sementes, a inoculação pode acontecer em dois diferentes tipos de ambientes:

Câmaras de fluxo laminar para o cultivo axênico ou em salas de inoculação, no caso de pasteurização severa. No primeiro caso, as câmaras geram um ambiente estéril no momento de introduzir o inoculante nos sacos.


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