Centro de Produções Técnicas
Portal Emprego e Renda associado ao Centro de Produções Técnicas - CPT
Você está navegando pela edição 58. Para retornar, clique aqui.

Cultivo do cogumelo shiitake em substratos


Esta matéria foi publicada na edição 4. Para ver outras matérias da edição 4, clique aqui.

Os substratos

O substrato é o maior responsável pela fonte de nutrientes e água para o posterior desenvolvimento do cogumelo e é também o que sustenta o cultivo. Devido ao seu alto grau de importância no processo, é preciso que se tenha cuidados especiais em sua formulação. A falta de cuidados com o substrato faz com que os microorganismos o colonizem muito antes dos cogumelos. Os substratos ricos são submetidos a compostagem, pasteurização e condicionamento – esse processo demora de 21 a 30 dias e, quando chega ao fim, ele está parcialmente estabilizado e condicionado. Existem alguns organismos termófilos, antagônicos ao shiitake, que apenas são mortos quando elevados a altíssimas temperaturas. Isso faz com que os cultivos axênicos e os pasteurizados sejam eficientes, pois as temperaturas a que elevam o cultivo conseguem exterminá-los. Porém, lembre-se, que existem microorganismos que são altamente resistentes e não serão eliminados e darão biostase em ambientes onde a assepsia não for tão rigorosa.

Os substratos para o cultivo axênico em blocos precisam ser em sacos resistentes a 125ºC, ou seja, o polipropileno ou o polietileno de alta densidade, serragem enriquecida de nutrientes e condições ambientais controladas ou semi-controladas. Acompanhe a formulação de um substrato para a produção axênica no quadro abaixo:

Código

Matéria úmida (kg)

Ingredientes

Matéria seca (kg)

Carbono (kg)

N (kg) mín.

N (kg) máx.

74

100,00

Serragem de eucalipto + casca

88,00

41,36

0,33

0,35

96

20,00

Farelo de soja

18,40

8,28

1,29

1,47

 

0,32

Cac. Calcítico

0,32

 

 

 

 

200,00

Água

1,00

 

 

 

 

320,32

 

 

 

 

 

Total

320,32

 

106,72

49,64

1,62

1,82

(%C)

(%N)

 

Total

Mín

Max

 

46,51

1,52

1,71

 

C/N

30,60

27,21

C/N Média

28,91

 

A formulação para os substratos de pasteurização severa é menos nutritiva para que os nutrientes usados não possibilitem a proliferação de microorganismos. Com C/N entre 50 e 65/1, o que pode envolver inúmeras combinações de matérias-primas.

Preparo do substrato

Como o substrato é um dos fatores de maior importância no cultivo dos cogumelos é preciso que seu preparo seja feito com o máximo de cuidados possíveis.

Primeiramente, se escolhe o material a ser usado. No caso da serragem (quem deve estar frescos e não conter mofo), o primeiro passo é o seu peneiramento. Isso acontece porque a serragem contém pedaços de madeiras ou outros materiais duros que precisam ser retirados, pois se ficam podem causar perfurações nos sacos – essas perfurações facilitam a entrada de microorganismos contaminantes.

A composição do material deve ser bastante estável não estando nem muito fina, pois dessa forma compacta demasiadamente o bloco, e nem muito grosso, pois, dessa maneira, forma bolsões de ar que diminuem a produção.

Depois de misturados os substratos devem ser colocados nos sacos apropriados e a quantidade a ser adicionada varia de acordo com o tamanho do saco – normalmente de um quilo e meio a quatro quilos.

Depois de prontos os substratos são levados para a autoclave, máquina que funciona como uma panela de pressão, e elevados a uma temperatura de 121ºC por duas horas ou mais.

Na pasteurização severa a temperatura é aumentada a partir da emissão de vapor, mas sob pressão ambiente. Os blocos devem permanecer nesse ambiente por um período de seis a 10 horas. Essa diferença de tempo existe devido ao fato de que na pasteurização severa a temperatura é mais baixa.

A autoclavagem, no processo axênico, é de alto custo de implantação, contudo é a única forma eficiente para esterilização do material. A pasteurização severa tem custo inferior e é indicada quando o cultivo do cogumelo acontece em galpões.

 


A serragem é componente mais comum nos substratos, pois são ricos em nitrogênio e em outros nutrientes. Palhas de capim e bagaço de cana-de-açúcar também são materiais utilizados – ricos em carbonos e pobres em nitrogênio e fósforo.

Como existe uma interação significativa entre linhagem e substrato é fundamental que um comerciante de semente as teste antes de colocá-la em comercialização. É preciso saber sua produtividade, qualidade e características dos basidiocarpos. Saber em que tipo de substrato e qual método de cultivo elas se desenvolvem melhor também é importante.

Após o resfriamento do substrato, deve ser inoculado o micélio do fungo. As sementes devem ser de linhagem selecionadas para as condições de cultivo. Depois de selecionada as sementes, a inoculação pode acontecer em dois diferentes tipos de ambientes:

Câmaras de fluxo laminar para o cultivo axênico ou em salas de inoculação, no caso de pasteurização severa. No primeiro caso, as câmaras geram um ambiente estéril no momento de introduzir o inoculante nos sacos.


Página anterior | Próxima página
2 


Cursos CPT: Gestão Empresarial

Quer saber mais sobre os cursos CPT?

Ligamos para vocÊ





Software CPT Planejamento
Educação Infantil

O Emprego e Renda é um portal associado ao Grupo CPT - Centro de Produções Técnicas
R. Dr. João Alfredo, 130, B. Ramos, Viçosa, MG, 36.570-000
©2012 empregoerenda.com.br - Todos os direitos reservados