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Albert Alcouloumbre Júnior


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Mídia e questões sociais

E&R: Qual a sua formação e há quanto tempo você está na Rede Globo?
Albert Alcouloumbre Jr.: Sou Jornalista, com formação em Comunicação Social e MBA Executivo pelo Coppead. Trabalho na TV Globo há cinco anos e meio.

E&R: Há quanto tempo você trabalha no Criança Esperança? Que modificações e melhorias o projeto vem sofrendo ao longo do tempo?
A.A.: Pelo fato de trabalhar na Central Globo de Comunicação, meu contato com o Criança Esperança e com os demais projetos sociais da empresa acontece desde o primeiro momento, pois todos esses projetos estão alocados na Central de Comunicação. Sobre as modificações, o

Criança Esperança vem passando por uma série de aperfeiçoamentos ao longo dos últimos anos, especialmente focados sobre dois aspectos: a forma de comunicar e a maneira de enfatizar as questões sociais. No primeiro caso, é sempre importante lembrar que a comunicação é o forte da TV Globo, é onde a empresa pode fazer diferença. Nossa preocupação tem sido, cada vez mais, a de prestar contas, mostrar como os recursos arrecadados são investidos (100% no Brasil, com gestão da Unesco), quais o projetos beneficiados e as melhorias obtidas.

No segundo aspecto, temos tentado cada dia mais, também com ajuda da Unesco, levantar os subsídios que possam ajudar a produção do show, os programas e o jornalismo da TVG [TV Globo] a ter informações consistentes e relevantes naquilo que diz respeito à temática da criança no Brasil. São inúmeros os problemas. Expô-los de forma precisa é importante para sensibilizar, conscientizar e ajudar a combatê-los.

Por último, criamos há quatro anos os Espaços Criança Esperança, que funcionam em comunidades carentes do Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Olinda (o de SP será reativado no próximo mês) com o objetivo de oferecer uma série de atividades complementares à escola para o as crianças dessas comunidades.

Na nossa avaliação, esse conjunto de ações tem se mostrado eficaz na melhoria do projeto, que esse ano - em sua vigésima edição - bateu todos os seus recordes de arrecadação e de ligações telefônicas, chegando a cerca de R$ 18 milhões, o que mostra a aceitação crescente por parte da população.

E&R: Qual a sua opinião sobre a sociedade, por meio de ONGs,  tentar proporcionar a uma verdadeira inclusão social das pessoas que sofrem com a pobreza, tendo em vista que muitos desses trabalhos deveriam ser feitos, e com prioridade, pelo governo?
A.A.: Não há dúvida de que essa responsabilidade cabe aos governos (Federal, Estadual e Municipal). Mas é sabido que, especialmente em países de grande carência, os governos não conseguem lidar com essa situação. Daí a importância da organização da sociedade em geral em torno dessas ações. Na verdade, isso proporciona dois grandes benefícios:  não só a ajuda e melhoria decorrentes diretamente dessas ações, mas também uma maior conscientização e uma maior organização dos grupos, inclusive para cobrar com maior consistência aquilo que cabe ao governo fazer.

E&R: Como você encara o papel da mídia em relação ao desenvolvimento sócio-cultural-educacional?
A.A.: A mídia tem um papel fundamental a cumprir. São empresas de comunicação SOCIAL. Muitas vezes essa palavra, social, é esquecida. É por isso que a TVG pauta sua programação em entretenimento, informação e educação. O jornalismo da TVG ocupa cerca de seis horas diárias na grade, entre os telejornais de rede e os regionais. Se levarmos em conta que essas veiculações são feitas basicamente entre meia-noite e seis da manhã, constata-se que o Jornalismo ocupa um terço da programação. Além disso, ainda há os programas educativos, como o Telecurso 2000, de educação formal, com 45 minutos diários.

Além dos projetos sociais conhecidos, como o Criança Esperança e o Amigos da Escola, a TV Globo tem duas outras ações pouco conhecidas, mas de enorme alcance na área social: a primeira é a cessão gratuita do vídeo para que ONGs e instituições beneficentes de caráter indiscutivelmente meritório possam veicular suas ações. Em 2004, a TVG abriu o seu vídeo para 135 campanhas desse tipo, totalizando quase 300 mil inserções e totalizando o equivalente a R$ 230 milhões se esse espaço fosse pago. Isso é mais do que a TV Globo veiculou de campanhas sociais próprias, seja de projetos como o Criança Esperança, seja de mensagens de cunho social, de filmes produzidos pela própria emissora e sobre os mais diferentes temas (campanhas de saúde, meio-ambiente dentre outras).

A segunda ação a que me refiro é o merchandising social, que consiste na inserção planejada de temas socialmente relevantes na trama das novelas. Foram mais de mil cenas em 2004, abordando temas como combate ao racismo, igualdade de gênero, desenvolvimento sustentável, dependência química, prevenção de doenças. No momento, por exemplo, a novela América, escrita por Glória Perez, aborda de forma exemplar e inédita as questões relativas aos direitos dos portadores de deficiências.

Para aqueles que quiserem conhecer o portfólio de projetos sociais da TVG, convido-os a visitar o nosso site www.redeglobo.com.br.

E&R: Como você enxerga o processo de desenvolvimento cultural em um mundo globalizado?
E&R: De acordo com alguns estudiosos, a globalização traz a sobreposição cultural dos países dominantes sobre os subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. Como você analisa essas colocações?
E&R: Como o desenvolvimento cultural pode ser transformado em base para o desenvolvimento socioeconômico?
A.A.: As três (boas) perguntas acima estão relacionadas. Vou procurar respondê-las de uma tacada só.

A identidade cultural de uma nação é fator-chave, estratégico, para protagonismo no mundo globalizado. Essa é uma questão de fundamental importância, que deveria merecer atenção especial de cada brasileiro, exatamente para evitar que a cultura do que você aponta como países dominantes predomine sobre os aspectos culturais nacionais e regionais. Creio que a TV Globo desempenha papel exemplar nesse campo, por vários motivos: cerca de 80% de sua produção é própria (no horário nobre passa de 90%) e voltada para a temática brasileira. Se considerarmos que são veiculados - entre novelas, minisséries e programas - cerca de 2.500 horas por ano de conteúdo nacional, pode-se deduzir que a TVG veicula o equivalente a 1.500 longa-metragens por ano. Além disso, a TVG exporta a sua produção para mais de 100 países e, em muitos desses países, nossos produtos transformam-se em campeões de audiência, fazendo com que a cultura brasileira e diversos aspectos do nosso país sejam referência no exterior. E há ainda um outro fator muito importante, que é a Rede de Afiliadas da TVG, que permite a exibição desse conteúdo em todo o território nacional e contribui para o fortalecimento da identidade cultural brasileira. Todo esse conjunto é possível apenas porque a empresa entende que é fundamental o compromisso com o Brasil e a sua cultura. Os crescentes índices de audiência alcançados pela TVG nos últimos anos mostram que essa opção conta com a aprovação do telespectador, que dá preferência aos produtos de conteúdo brasileiro em relação aos 'enlatados'.

E&R: Agora mudando de assunto, como você conheceu os cursos da UOV?
A.A.: Através de pesquisa na Internet

E&R: Em que o curso está contribuindo para você?
A.A.: Fiquei positivamente surpreso pela eficácia que um curso á distância pode ter. Incorporei rapidamente diversas informações novas. Posso dizer que após algumas horas de estudo passei a conhecer razoavelmente um assunto sobre o qual nada sabia. Isso mostra como as ferramentas de comunicação e telecomunicação podem ser fundamentais para a disseminação do saber


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