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por Rubens Fava
Um dia, um vento forte e cruel invadiu, sem convite, um ninho tranqüilo onde uma família de sementes vivia.
Essa aragem cruel raptou uma pequena semente indefesa e levou-a embora, até que, cansada e aborrecida com toda a aventura, lançou-se ao longe.
E, então, a pequenina semente viu-se derrubada em uma terra estranha e desconhecida.
Ali, sozinha e perdida, rolava por uma calçada de concreto até que parou por um estalo seco no cimento árido.
Em seguida, um salto inocente, desconhecido e hostil de uma bota de couro suja e mal tratada pisoteou-a, apertando-a profundamente na fissura.
Ficou presa. Uma refugiada aprisionada, descartada. Separada da família. Sozinha.
Uma semente órfã presa firmemente em uma profunda e escura garganta.
O desespero foi uma conseqüência.
Então, aconteceu.
Dentro do coração daquela sementinha indefesa, despertou uma força de vida milagrosa, mística e estranha, que desafiou a morte, a calçada e todo o mundo!
Com toda força gritou ao mundo: “Eu viverei e não morrerei!”
Quando a primeira gota suave da neblina da manhã verteu naquela fissura do cimento, a sementinha estava à vontade e absorvia a umidade cordial.
Um punhadinho de pó, movendo-se com a brisa suave, entrou de mansinho na fissura para cobrir a semente lutadora que gritava mais uma vez: “Eu me enraizarei e crescerei”
.
Suavemente, silenciosamente, formou raízes com pêlos microscópicos que descobriram afluentes escondidos nesse meio ambiente diferente.
Lá, nas cavernas, em miniaturas escondidas, as gavinhas meigas acharam mais umidade, mais alimentação pulverulenta, até que a semente peregrina, inchada e com determinação, fendeu uma abertura ampla, e rompeu-se com uma nova vida.
E, numa manhã ensolarada e brilhante, uma pequena folha de grama apareceu na fissura da calçada, sorriu ao sol, riu à chuva, acenou ao vento e, orgulhosamente, declarou:
“Aqui estou eu, mundo!!!... Eu lutei contra as condições impossíveis e venci!.”
Quantos de nós pensamos que estamos no fim da linha!
Quantas vezes nos sentimos tão impotentes com a situação do dia-a-dia que até perdemos as esperanças em nós mesmos?
Quantas vezes deixamos de acreditar, supor que não existe saída, que o sucesso parece impossível e que os sonhos parecem cada vez mais distantes?
A história dessa sementinha, que abriu caminho no meio do concreto e se ergueu para a vida, nos faz refletir sobre o que somos capazes quando nos determinamos a lutar contra todas as impossibilidades!
Crescer e sobreviver neste mundo competitivo é um desafio diário.
Para isso as organizações são chamadas a transformações e adaptações, a fim de sobreviverem.
Mas sobreviver, desabrochar, inovar, mostrar excelência e liderança nesta nova realidade nos exigirá ir além da eficácia.
O que a nova era exige é “grandeza”.
Temos que estar cientes de que há um mundo que está acabando, e um mundo que está começando e nós estamos exatamente nesta encruzilhada.
Esta descontinuidade gera espaço para o novo, para aquilo que ainda não é conhecido, gera profundas e sutis mudanças na cultura das organizações e na postura de cada um de nós como pessoas e como profissionais.
Analisar as tendências corretamente significa abrir caminho para que a empresa possa se antecipar ao restante do mercado na tarefa de satisfazer as necessidades e desejos e até superar as expectativas dos consumidores.
Isto permite que a empresa se prepare com mais cuidado sem ter de decidir e trabalhar sob pressão dos concorrentes mais agressivos.
Parafraseando Mahatama Gandhi; “se queremos progredir não devemos repetir a história, mas fazer uma nova história”, isto significa que as empresas precisam se reinventar a cada momento, acreditar que é possível e seguir em frente.
Rubens Fava favarubens@uol.com.br é formado em Ciências Econômicas e Administração com ênfase em marketing, especialização em Productivity Improvement pelo JPC – Japan Productivity Center for Sócio-Economic Development – Tókyo - Japan, mestre em Administração pelo ESADE de Barcelona ES e doutorando em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina - USFC.
É autor dos livros Caminhos da Administração e A trajetória de uma executiva de sucesso.