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Emprego e Renda: Existe um perfil ideal para o candidato?
Eduardo Simonini: Acredito não existir um perfil ideal dentro do qual o candidato deva se adequar. Cada empresa exige determinadas habilidades de seus empregados e essas exigências mudam de acordo com complexas necessidades tanto internas da empresa quanto externas a esta. Uma empresa pode realizar entrevistas de seleção para um mesmo cargo, mas exigindo perfis completamente diferentes, dependendo do momento pelo qual está passando. É importante, portanto, para o candidato, conhecer o que possivelmente se espera do cargo, este conhecimento pode ser um bom indicativo de quais posturas podem ser utilizadas durante a seleção. Toda empresa possui uma história e, consequentemente, uma cultura que a constitui. Toda empresa tem um perfil específico do candidato a ser escolhido.
Para cada função, um perfil determinado é montado. É importante então ao candidato realizar uma pesquisa a fim de se observar qual a possível filosofia empresarial do local onde pretende trabalhar. Tal pesquisa não deve ser feita no intuito de falsear os dados sobre a personalidade do candidato a fim de que este se adeque ao que a empresa deseja. A pesquisa deve contribuir principalmente para que o candidato tenha uma consciência maior a respeito do tipo de pessoal que a empresa está buscando, na intenção de que não entre no processo seletivo de uma forma completamente cega à realidade empresarial da qual ele quer participar. Nos tempos atuais, é comum, porém, buscar candidatos que possuam algumas características como:
Emprego e Renda: Como saber se meu desempenho foi satisfatório?
Eduardo Simonini: Talvez o candidato nunca tenha essa resposta. Há inúmeras variáveis envolvidas em um processo de seleção e algumas destas muitas vezes fogem completamente ao domínio de controle do candidato. Um candidato pode ter tido um bom desempenho na entrevista, mas seu perfil é inadequado ao que a empresa está procurando. Ou, também, alguma atitude, resposta ou aparência do candidato não entra em acordo com os conceitos e pré-conceitos do entrevistador. O importante, portanto, é o candidato se sentir satisfeito consigo próprio, consciente que teve o melhor desempenho possível, principalmente quando demonstrou coerência e verdade em suas respostas. Pode até ser reprovado, todavia, é melhor ser reprovado para um trabalho para o qual não se adequará do que participar de funções nas quais correrá o risco de se frustrar.
Emprego e Renda:: O que você me diz sobre os testes psicológicos nas seleções para emprego?
Eduardo Simonini: Os testes psicológicos são ferramentas que auxiliam em uma seleção. Todavia, nenhuma seleção deve se apoiar apenas em tais testes. Uma seleção completa envolve entrevista, testes e dinâmicas de grupos. A análise desses três elementos oferecem uma perspectiva melhor a respeito dos indícios de personalidade de cada candidato. Geralmente, quando utilizo de testes, prefiro aqueles que tenham como recurso o desenho. Isso porque tudo o que fazemos carrega um pouco do que somos, mesmo que seja um insignificante desenho em um canto de página.
Estar sensível a como tais desenhos se organizam e como eles desvendam tendências comportamentais dos candidatos é a tarefa daqueles que aplicam testes nas seleções. O teste grafológico, por exemplo, é aplicado sob essa perspectiva uma vez que a letra de uma pessoa nada mais é que um desenho. Seguindo determinados padrões apresentados nas letras é possível indicar variadas tendências comportamentais. Todavia, para isso, é necessário que a pessoa escreva um texto e que o mesmo seja analisado por um estudioso sério em grafologia. Análise de pequenos bilhetes ou textos pequenos são pouco conclusivos.
Eduardo Simonini Lopes é psicólogo, Mestre em Psicologia Social, Doutorando em Educação (UERJ), Professor pelo Depto. de Educação da Universidade Federal de Viçosa, onde leciona as disciplinas Dinâmica de Grupo e Psicologia e Administração.