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Entrevista do mês


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Montar um negócio próprio

Antonio Carlos de Matos

O entrevistado deste mês é Antonio Carlos de Matos, Diretor de Operações da IBELG - Instituto Brasileiro de Excelência em Liderança e Gestão; administrador de empresas, professor universitário, consultor e palestrante em gestão empresarial. Autor de vários livros e criador de programa de TV sobre empreendedorismo e montagem de negócios. E, autor do livro digital “Gestão Financeira – uma abordagem prática para pequenas empresas “, e redator do Blog “Ágil + Frágil”.


A maioria de nós brasileiros tem um sonho que vira e mexe vem à tona: montar um negócio próprio. Mas, sempre que pensamos nisso, várias dúvidas vêm à nossa cabeça:

Que negócio montar? Como achar o melhor lugar para montar o negócio? O que fazer para ter sucesso? Quanto de dinheiro será necessário? Vale a pena registrar a empresa?

Analisando o vasto mercado dos pequenos negócios chego a uma conclusão: quem abriu uma empresa o fez porque tinha uma ideia de negócio na cabeça ou porque percebeu uma oportunidade de negócio. Isto é óbvio, não é? Mas com alto risco.

Uma “ideia de negócio” apenas identifica uma atividade empresarial simpática à pessoa. Do tipo, gosto de animais, vou montar uma loja de ração, ou gosto de flores, vou montar uma floricultura. Significa que a ideia de negócios leva apenas à montagem das instalações físicas. Para ser negócio, tem de perceber a oportunidade. Uma ideia para ser oportunidade de negócio precisa de complementos, como:

  • Conseguirá vender?
  • Existem realmente interessados em comprar?
  • Quantos e quem são estes interessados em comprar?
  • Qual a quantidade que conseguirá vender por mês?

Entre outras formas de entender a questão, podemos dizer que uma oportunidade de negócio para a pequena empresa, é caracterizada pela percepção de nicho de mercado, isto é, de um número de pessoas ou empresas que estejam dispostas a consumirem um volume de produtos ou serviços, em determinado local, determinado preço e por um período considerável de tempo. Ou seja, montar um negócio, significa essencialmente montar um processo de venda. Se não vender a empresa quebra.

Pesquisas apontam que 30% das empresas que fracassam alegam “falta de demanda”. Ou seja, não conseguiram vender o volume que precisavam vender para gerar lucro.

Se, ao montar a empresa o empreendedor estiver convicto que conseguirá vender um volume suficiente de produtos e ou os serviços que irá oferecer, por preços compensadores, então tem uma oportunidade de negócio esperando para ser explorada.

Mas, ainda assim, uma oportunidade percebida somente vira um bom negócio se existir uma estratégia para sua exploração. Uma boa estratégia somente é definida por um completo e dominado projeto empresarial (também conhecido como “Plano de Negócio”).

Completo porque quanto mais condições forem identificadas e tratadas, mais acertadas serão as decisões do empreendedor.

Dominado porque quanto mais convencido estiver o empreendedor sobre cada componente do plano, mais domínio terá sobre as condições adversas que certamente surgirão, ao longo da implantação do empreendimento.

Significa simplesmente definir as providências que serão decisivas na implantação do empreendimento, e pelo tempo que este durar:

  • Definições das ações a realizar com relação ao produto, ao preço, à distribuição e à comunicação com o mercado, como ponto de partida para atrair e reter clientes. Também a relação que deverá ser estabelecida com concorrentes e com fornecedores. No caso de comércio a relação com fornecedores é decisiva.
  • Definições do sistema de trabalho a ser adotado, para se alcançar o necessário nível competitivo do processo e da equipe. A busca contínua será por maior produtividade e por qualidade, na justa expectativa dos clientes.
  • Definições claras de valores do investimento e do capital necessário ao dia-a-dia da empresa. Quanto será necessário em cada etapa ou período de tempo? Qual a disponibilidade ou fonte de financiamento, e por quanto tempo? Sem esquecer uma adequada reserva de dinheiro para suportar os primeiros meses, quando surgem condições não imaginadas.

Todo este cuidado, sobre oportunidades, estudos, planos e estratégia, é para responder antecipadamente se o volume e preço que podem ser conseguidos resultarão em retorno do investimento, que valha a pena.

Se, o volume e preço que podem ser conseguidos, não resultarem em retorno do investimento que valha a pena, significa que poderá ser mais uma empresa que vai fechar suas portas, no primeiro, segundo ou terceiro ano, alegando falta de demanda, quando na verdade trata-se apenas de uma ideia simpática de negócio e não exatamente de oportunidade de negócio.

Assim, o recado para quem deseja montar uma pequena empresa, é que invista tempo, dinheiro e aprendizado na elaboração do Planejamento Inicial da empresa, o qual certamente responderá pelo menos às nossas dúvidas iniciais:

Vale a pena montar o negócio? O Planejamento Inicial responderá que sim, se houver retorno que valha a pena.

Como achar o melhor lugar para montar o negócio? O Planejamento Inicial permitirá a escolha que resultar em melhor expectativa de servir ao cliente. O que fazer para ter sucesso? O Planejamento Inicial mostrará alternativas de fazer tudo o que for possível para vender, por preço compensador e volume que gere o lucro esperado. Quanto de dinheiro será necessário? O volume resultante de investimento será sempre dependente das escolhas feitas ao longo do Planejamento Inicial, daí a importância de fazer a empresa funcionar primeiro no “papel”.

Vale a pena registrar a empresa? Se o Planejamento Inicial indicar viabilidade, a formalização é o jeito certo de participar e crescer no mercado competitivo.

Um Planejamento Inicial realista apontará as melhores escolhas na montagem do negócio próprio, evitando as decisões erradas. Como disse o escritor L. Frank Baum na obra imortal “O Mágico de OZ “ (1939): “se não sabe para onde ir qualquer direção serve”.


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