Esta matéria foi publicada na edição 53. Para ver outras matérias da edição 53, clique aqui.
A entrevistada desta edição é Elaine Martins, especialista em coaching executivo para mulheres. Ela nos apresentará a realidade das mulheres no que se refere ao ambiente de trabalho e familiar.
1. A mulher tem a necessidade de sentir-se uma supermulher? Isso já é coisa do passado?
Desde que as mulheres ingressaram no mercado de trabalho, elas passaram a lidar com uma dupla jornada de atividades: profissional e mãe. De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no início deste ano, há aproximadamente 9,4 milhões de mulheres trabalhando nas seis principais regiões metropolitanas do País (Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre).
Além de mercado de trabalho em geral, as mulheres estão conquistando, a cada ano, um maior e melhor espaço no mundo executivo. Mas é difícil a arte de ser a mulher multifuncional. Não é tarefa fácil ter uma casa para cuidar, além de criar filhos e trabalhar com toda força para despontar no mercado de trabalho e tornar-se uma executiva. Porém, esta mesma mulher deve usar como vantagem competitiva as multifunções que ela pode realizar: fazer parte da população economicamente ativa, ser feminina e mãe ao mesmo tempo, sem medo.
O problema é que não compreendemos que o conceito tradicional de família mudou, mas as relações afetivas dentro da mulher permaneceram imutáveis; as crianças continuam amando seu pai e sua mãe; as pessoas encarregadas de cuidar das crianças são importantes para o desenvolvimento delas, mas não são os pais, e continua a busca da mulher por um companheiro e vice-versa.
Mas é necessário reconhecer que, tanto no trabalho quanto em casa, podemos fazer tudo com prazer e que, quanto mais compartilharmos com a família e nos envolvermos quando possível nos aspectos dessa atividade, “mais trabalho” pode se tornar um fator de união e não de separação!
Não podemos nos deixar iludir pela ideia de que aqueles que realmente progridem na vida profissional são os que comem pizza fria sentado no trabalho, e que, de certa forma, estamos em desvantagens porque tentamos estabelecer equilíbrio em nossas vidas.
As pesquisas mostram que os workaholics muitas vezes criam sérios problemas, tanto no trabalho quanto em suas vidas e famílias, e que investir no equilíbrio propicia enormes benefícios para o indivíduo e a empresa.
2. As jovens mulheres da geração Y têm alguma qualidade diferente das mulheres de outras gerações?
Já conheci muitas e muitas mulheres, que direcionaram sua vida em busca de uma carreira profissional – casadas ou não – e que hesitam em ter filhos e isso impactar na sua produtividade e ascensão profissional.
Mas essa geração traz um grande respaldo dos pais. E principalmente das mães que projetam nessas filhas o mantra: Você não nasceu pra cuidar da casa, a gata borralheira fica melhor de Cinderela.
Tudo bem que nenhuma mulher moderna deve sobreviver sem trabalhar. Mas ninguém precisa ser uma neurótica que só vive para o trabalho. Foram criadas a pensar que o mundo não vai parar de girar, e é exatamente por isso que ela precisa se manter no seu eixo para não desequilibrar. Você pode interromper um pouco suas atividades para tomar uma xícara de café, dar uma volta lá fora, observar as pessoas na rua ou simplesmente respirar. Acredita que voltará mais descansada, com mais energia e pronta para resolver o que antes parecia mais difícil de solucionar. Coloca-se em primeiro lugar.
E a praticidade a acompanha. Normalmente ainda não é responsável pela casa ou, se saiu da casa dos pais, compartilha seu apartamento, e lógico com a divisão das tarefas e pouca refeição em casa, fica mais fácil. E lógico que não passa o domingo na cozinha, nem aprendeu a pregar um botão ou muito menos fica na neura de deixar o chão brilhando.
Na vida delas a carreira vem em primeiro lugar. O foco é o sucesso profissional, pois com ele pensam em dar o melhor para si e para, quem sabe, a futura família As mulheres são determinadas e sempre querem o melhor.
3. Mulheres com filhos ainda enfrentam muito preconceito dentro das empresas?
Existem alguns itens importantes acontecendo no mundo empresarial. Hoje as mulheres encabeçam a lista dos profissionais mais procurados de todas as empresas. Você tinha ideia de que é tão essencial assim? Naturalmente, essa informação não é transmitida às massas, pois nos daria força demais. Novos e impressionantes dados econômicos demonstram com clareza que hoje temos um poder que nunca tivemos antes. O que as mulheres precisam começar a fazer é forçar uma mudança e provar seu valor com dados e resultados financeiros. E as mulheres são valiosas. Sabia que as empresas com maior número de mulheres em cargos de gerência e alta gerência geram mais dinheiro? É simples e impressionante assim. A demanda do estilo de gestão da mulher, mais inclusivo e construtivo está em alta. Você verá o que dizem as pesquisas. A habilidade feminina de executar várias tarefas ao mesmo tempo e de resolver problemas, propiciadas pela predominância do lado direito do cérebro, nos ajudam a tomar boas decisões empresariais. As empresas entendem que a opinião de uma mulher sobre os produtos é essencial, pois (como todos nós sabemos) as mulheres fazem a maior parte das compras para a família. Nunca fomos tão procuradas. Acrescente-se a isso o fato de as sábias mulheres mais jovens estarem colocando mais lenha na fogueira ao investir fortemente na sua educação formal e demandando mais liberdade do que jamais se ousou demandar.
Um estudo realizado na França revelou que as empresas com mais mulheres em cargos de gerência se saíram melhor em 2008 – tiveram mais lucros – do que as que tinham um número menor de mulheres nesses cargos. A marca de luxo Hermès foi a única empresa de grande porte listada na Bolsa de Valores francesa cujo preço da ação subiu no último ano 16,8%. Por acaso a empresa também tem o segundo maior número de mulheres em cargos de gerência entre as empresas que comercializam ações na Bolsa de Valores francesa (55%). O professor Michel Ferrary, da CERAM Business School na França, diz que a feminilização da gerência parece conferir proteção contra a crise financeira, e em condições de grande incerteza, o mercado financeiro valoriza empresas que assumem menos riscos e são mais estáveis.
4. Quando elas estão na alta gestão, o que têm feito para beneficiar suas colaboradoras?
Um pequeno, mas crescente número de gerentes age com a hipótese de que o trabalho e vida pessoal não são prioridades que competem uma com a outra, mas que se complementam. Na essência, eles adotaram a filosofia do "vantajoso para ambos". E, ao que tudo indica, estão certos:
Nos casos que analisei, a nova abordagem tem rendido resultados palpáveis, tanto para as organizações quanto para os próprios funcionários. Quando um gerente ajuda os funcionários a estabelecerem um equilíbrio entre o trabalho e as demais áreas de suas vidas, esses colaboradores passam a sentir um comprometimento mais forte com a organização como forma de retribuição. A confiança, assim como a lealdade e a energia que investem no trabalho, duplica-se. Não é, portanto, surpreendente que seus desempenhos melhorem e que a empresa se beneficie. Resultados mais concretos permitem que os gerentes continuem a por em prática os princípios que auxiliam a alcançarem o equilíbrio entre trabalho e a vida.
5. A genética feminina e o não acompanhamento frente às mudanças.
Nosso ginecologista pode explicar bem isso, mas quando falamos da natureza humana, principalmente a genética feminina – fica evidente o quanto a fisiologia mantém-se distante ainda das mudanças culturais e comportamentais que as mulheres estabeleceram na sociedade. Imagine que as mulheres possuem em média XXX óvulos aos 14 anos, e esse óvulos a cada menstruação vão se perdendo até que após os 30 anos a mulher tem somente 10% dos óvulos da adolescência. Será que isso já não basta para nos informar sobre um grande impacto que os comportamentos trazem para genética e vice-versa? Sabemos que hoje parece haver uma tendência de ter filhos após os 30 anos e há uma forte possibilidade de restrições ou maiores dificuldades para engravidar.
Mas isso vai ocorrer se a mulher conseguir escapar de engravidar na adolescência. Sim, porque isso ainda continua acontecendo com grande frequência.
A dica é não se envergonhar de seus instantes de melancolia. Em vez de lutar contra aqueles momentos mornos, explorar os aspectos positivos. Afinal, a insatisfação é a raiz de toda criatividade porque ela impulsiona a inovação. Em “A arte da guerra para mulheres”, Chin-Ning Chu observa que a mulher que atua em um mundo masculino frequentemente se sente inferior por causa de seus naturais ciclos físicos e emocionais. Mas ninguém precisa saber disso, guarde para você o desconforto físico (principalmente na TPM!) e diminua o seu ritmo. Se a melancolia bater forte, lembre-se que a insatisfação é a raiz de toda a criatividade.